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'Entre Nós Três': romance de estreia de Mariana Bregieiro resgata Recife dos anos 80

  • Foto do escritor: Jaque Corrêa
    Jaque Corrêa
  • há 1 hora
  • 4 min de leitura

Obra publicada pela Editora Labrador chega às livrarias com uma trama que atravessa décadas, gerações e, sobretudo, as ruas da capital pernambucana


Lançamento livro Entre Nós Três, Mariana Bregieiro
Foto: Divulgação/Editora Labrador

Uma fotografia deixada por uma desconhecida. Duas iniciais rabiscadas no verso. E uma pergunta que muda tudo: quem conhecia minha mãe e por que eu nunca soube? É assim que se inicia Entre Nós Três, romance de estreia da escritora Mariana Bregieiro, que transforma o luto de uma jovem em uma jornada pelo Recife dos anos 1980.


Uma lembrança, duas gerações

A história começa com Marina, que enfrenta a dor da perda de sua mãe, a fotógrafa Liana Esteves. Seis meses depois da morte, um registro antigo aparece em sua loja: uma foto de seus pais com alguém que ela nunca viu na vida. No verso, duas iniciais rabiscadas levam a um nome: Laura Noronha. Assim, a fotografia dá início à verdadeira jornada de Marina, que começa uma investigação sobre o passado de seus pais e os segredos que eles escolheram guardar.


É por meio de Laura que o livro nos leva diretamente ao Recife dos anos 80, onde ela, Cadu e Liana, ainda jovens, vivem um triângulo de amizade, arte e política. Cadu sonha em ser astro do rock; Liana fotografa o mundo ao redor; Laura, estudante de Direito e está de corpo e alma na campanha das Diretas Já.


Em entrevista exclusiva ao Capítulo Z, Mariana Bregieiro conta que o sentimento de pesar é o que sustenta a busca de Marina do início ao fim. "Se não fosse o luto da personagem, ela não teria se motivado tanto a ir atrás da dona da foto. É realmente uma jornada motivada pelo luto, quase como uma forma de manter a mãe viva", relata a autora.


Por que Recife?

Segundo Bregieiro, o livro quase não se passou em Recife. As primeiras ideias surgiram enquanto a autora morava em Brasília, entre 2018 e 2019, e era lá, inicialmente, que a trama ganharia um cenário. "Na época, eu não tinha muita perspectiva de retornar a Recife. Achava que ia morar em Brasília pro resto da vida", admite.


Tudo mudou quando ela reconsiderou o cenário. "Recife tem um sabor especial. Não estou dizendo isso porque moro aqui, é porque é uma cidade muito politizada, e a política é o pano de fundo desse livro. Uma cidade que tem uma cultura muito específica, que é musical de uma forma muito particular. Se não fosse aqui, teria sido um livro totalmente diferente", diz.


A aposta parece ter funcionado. Mariana exalta a capital pernambucana como o lugar perfeito para a história e cita, como argumento, uma frase do diretor Walter Salles, de Ainda Estou Aqui: "Quanto mais um lugar é retratado com particularidade e afeto, mais ele se torna universal. Eu tento retratar a cidade que conheço tão bem de um jeito que os outros sintam que também a conhecem".


Do Direito para a ficção (com escala em Brasília)

Nascida em Ribeirão Preto, onde os pais faziam pós-graduação, Bregieiro se mudou para Recife com apenas um ano de idade e foi lá que construiu a vida inteira. Antes das páginas de romance, ela escrevia em outro registro completamente diferente: o jurídico. "Sou da área jurídica, trabalho escrevendo, só que é uma linguagem bem técnica", explica.


A guinada para a ficção aconteceu por volta de 2018, durante uma oficina de escrita criativa em Brasília, que ela descreve como prática: "Não era um curso. A professora trazia alguma inspiração e você tinha poucos minutos para escrever alguma coisa. Foi um processo que destravou bastante a minha criatividade". Foi ali, pouco antes da pandemia, que ela publicou seus primeiros contos em coletâneas, mas nunca tinha se arriscado em uma narrativa longa.


A primeira semente de Entre Nós Três surgiu no início da pandemia, mas o compromisso diário só veio em outubro de 2024. "Logo de cara eu já me empolguei", diz sobre decidir escrever um romance de 400 páginas como estreia. Dez meses depois, em agosto de 2025, o manuscrito estava pronto.


autora Mariana Bregieiro
Foto: Arquivo Pessoal

Escrever sobre os anos 1980 exigiu também pesquisa: dois livros sobre o período das Diretas Já serviram de base. "Tinha os fatos históricos para me guiar, então o roteiro foi um pouco mais fácil de montar. Mas tem um momento em que os fatos históricos se encerram e eu ainda tive que continuar", conta. É aí que a ficção assume o controle, sem roteiro fixo, guiada pelo processo de escrita em si.


Já sobre o segundo livro, atualmente em produção, ela é direta: "Eu sinto que sou uma pessoa que vai tendo ideias a partir da escrita. Não sou muito daquela que planeja em todos os detalhes do início ao fim".


Entre as inspirações da autora, uma se destaca: Taylor Jenkins Reid, autora de Os Sete Maridos de Evelyn Hugo. "Eu amo, amo, eu amo. Evelyn Hugo é um dos meus favoritos", declara sem meio-termo. De lá vieram dois elementos centrais do livro: personagens verossímeis o suficiente para parecerem reais, mesmo quando, dentro da trama, se tornam uma espécie de celebridade, além da estrutura em dois tempos, com uma personagem conduzindo o leitor de volta ao passado.


Por fim, a autora deixa um recado: "Eu acredito piamente que o que dá vida a um livro, o que faz ele ganhar o mundo, não é o trabalho do autor. É importante, é o ponto inicial, mas o que vai realmente fazer o livro ganhar asas é o impacto dele na vida do leitor", conclui.


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1 comentário


Alexandre Santos
há 15 minutos

BAITA MATÉRIA !

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