Autores negros que não podem faltar na sua estante: 5 nomes para conhecer e se apaixonar

Para além das indicações que viralizam nas redes, reunimos autoras e autores negros que merecem um lugar nas sua lista de próximas leituras

A literatura brasileira tem sido, cada vez mais, atravessada por vozes negras que renovam temas, formas e olhares sobre a realidade. De clássicos contemporâneos a autores que despontam nas redes, esses nomes têm em comum a força de transformar experiência, ancestralidade e crítica social em literatura essencial.
Para exaltar alguns desses nomes, separamos cinco autoras e autores que você precisa conhecer e os livros que marcam suas trajetórias.

bell hooks
Pseudônimo de Gloria Jean Watkins, bell hooks (1952–2021) foi escritora, professora, teórica feminista e ativista antirracista estadunidense. Autora de mais de 30 livros e uma das vozes mais importantes do feminismo negro, dedicou sua obra a temas como interseccionalidade de raça, classe e gênero, além da educação como prática de liberdade. Escrevia seu nome propositalmente em letras minúsculas.
Livro: Tudo Sobre o Amor: Novas Perspectivas
Publicado originalmente nos Estados Unidos em 2000 e lançado no Brasil em 2021 pela Editora Elefante, é o primeiro volume da chamada Trilogia do Amor. No livro, bell hooks questiona definições vagas do amor e propõe compreendê-lo como uma escolha e uma força de vontade capaz de nutrir o crescimento espiritual próprio e do outro. Dividida em treze capítulos, que vão da infância à espiritualidade, da comunidade à perda, a obra defende o amor como prática política e coletiva, capaz de romper ciclos de dominação, violência e opressão.

Jeferson Tenório
Nascido no Rio de Janeiro em 1977 e radicado em Porto Alegre desde os anos 1990, Jeferson Tenório é escritor e professor de literatura. Autor de romances, contos e textos teatrais, teve sua obra mais conhecida, O Avesso da Pele, vencedora do Prêmio Jabuti de Romance Literário em 2021.
Livro: O Avesso da Pele
Narrado por Pedro, o romance acompanha a busca do protagonista por reconstruir a história do pai, Henrique, professor negro morto após uma abordagem policial. Ao reorganizar fotos, cadernos e lembranças deixadas para trás, Pedro tenta compreender quem foi o pai que mal conheceu e, nesse processo, revisita também a própria identidade. Com uma narrativa sensível e, por vezes, brutal, o livro expõe o racismo estrutural, a violência policial e as fragilidades do sistema educacional brasileiro, ao mesmo tempo em que constrói um retrato delicado das relações entre pais e filhos.

Dayane Borges
Uma leitora assídua de histórias sobre amor, negritude e mundos fantásticos. É assim que Dayane Borges, escritora paulista graduada em Letras Portugês/Francês se define. A jovem autora já lançou contos, como Tudo o Que Nós Temos, Entre Nós e Heloísa: Quem Conta a sua História, além de livros em editoras independentes.
Livro: Mais Que Um Lance
Se os 25 anos são a idade da ascensão para que o sucesso venha aos 30, Ana Beatriz está perdida. A alguns meses de fazer aniversário, nenhum aspecto de sua vida parece encaminhado como deveria. Na área profissional, as matérias esportivas que escreve não conquistam leitores, muito menos a atenção da chefia. No aspecto amoroso, as coisas estão paradas como sempre. O que ela nunca esperaria era que tudo isso pudesse mudar de uma só vez. Um jogador que tem causado rebuliço entre os fãs de basquete acaba de se tornar seu vizinho — e é ninguém menos do que Ícaro, o melhor amigo de infância por quem ela tinha um crush silencioso. O problema é que o rapaz tem dois pés atrás com jornalistas, e tentar uma reaproximação repentina pode passar muitas impressões erradas. Entre o amor e a carreira, será que Triz precisa escolher?

Stefano Volp
Nascido em 1990 no Espírito Santo e radicado no Rio de Janeiro, Stefano Volp é escritor, roteirista, tradutor e produtor editorial. Sua obra costuma cruzar temas como masculinidade negra, racismo estrutural e violência de gênero, presentes em livros como Homens Pretos (Não) Choram e Santo de Casa. É ainda criador do Clube da Caixa Preta, projeto voltado a divulgar contos de autores negros inéditos no Brasil.
Livro: O Beijo do Rio
Thriller psicológico de estreia do autor, o livro acompanha Daniel, jornalista negro e bissexual que retorna à cidade natal, Ubiratã, após dez anos, para investigar a morte do melhor amigo de infância: caso que a polícia classificou como suicídio. De volta a um lugar onde sempre se sentiu deslocado, Daniel esbarra em segredos de uma seita religiosa, disputas políticas locais e famílias que preferem não ser incomodadas, em uma trama que combina suspense, crítica e representatividade negra e bissexual.

Conceição Evaristo
Nascida em 1946, em uma favela na região sul de Belo Horizonte, é uma das maiores referências da literatura brasileira contemporânea. Criadora do conceito de “escrevivência”, a escrita que nasce da vivência de mulheres negras , a autora estreou na cena literária em 1990 e desde então construiu uma trajetória marcada por romances, contos e poesia que colocam personagens negras no centro da narrativa, entre eles os romances Ponciá Vicêncio e Becos da Memória, e a coletânea de contos Olhos d’Água, finalista do Prêmio Jabuti.
Livro: Canção para Ninar Menino Grande
O romance acompanha Fio Jasmim, um jovem trabalhador ferroviário que percorre diferentes cidades e se envolve com diversas mulheres, deixando pelo caminho amores, dores e histórias inacabadas. Ao entrelaçar as vozes femininas que cruzam a trajetória de Fio Jasmim, Conceição Evaristo mergulha nas contradições da masculinidade negra e em temas como misoginia e relacionamentos abusivos, construindo o que a crítica descreve como uma canção para mulheres livres.
Esses cinco nomes são só o começo de uma lista que não para de crescer. Cada um, à sua maneira, mostra como a literatura negra brasileira segue se reinventando, entre memória, ficção e ensaio, e ocupando cada vez mais espaço nas prateleiras e no imaginário dos leitores.
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