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Entre poesia e novos leitores, autor Igor Pires defende uma literatura mais acessível

Foto do escritor: Jaque Lima
Jaque Lima
há 5 horas
3 min de leitura

Em entrevista exclusiva ao Capítulo Z, escritor afirma que falta de acesso pode estar por trás da percepção de que a nova geração não lê 


Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Se os jovens não estão nos espaços tradicionais da literatura, isso não significa que deixaram de ler. É o que defende o escritor Igor Pires, que, em entrevista exclusiva ao Capítulo Z durante a 28° Bienal Internacional do Livro, afirmou que o evento revela justamente o interesse crescente da nova geração pelos livros. Para o autor, é preciso olhar além dos formatos tradicionais para entender quem são esses leitores. “Eu acho que a gente olha com olhos talvez um pouco preguiçosos para essa geração que não necessariamente está nesses circuitos tradicionais, nas grandes feiras literárias e tudo mais”, explica.


Igor Pires é escritor, publicitário e fundador do projeto literário Textos cruéis demais para serem lidos rapidamente, criado a partir de textos publicados na internet. O projeto conquistou uma grande comunidade de leitores e deu origem a uma série de livros. Entre suas obras estão Todas as coisas que eu te escreveria se pudesse, Textos para tocar cicatrizes e Este é um corpo que cai mas continua dançando. Sua produção é marcada principalmente pela poesia e por textos sobre relacionamentos, sentimentos e diferentes experiências da vida contemporânea.


Durante a conversa com o Capítulo Z, o autor afirmou que muitos jovens são considerados não leitores simplesmente porque não tiveram contato suficiente com a literatura para se reconhecer dessa maneira. Para Igor, o acesso aos livros pode ser determinante nesse processo. “Se um jovem tem acesso ao livro, ele entende que ele gosta de ler”, pontua.


O escritor também chama atenção para as diferentes formas de leitura presentes entre os jovens. Na visão dele, o contato com a literatura não precisa acontecer exclusivamente por meio dos livros considerados tradicionais. “Se você lê mangá, se você lê gibi, se você lê fanfic, todas essas são maneiras de leitura e que te tornam um leitor, sim”, afirma.


A experiência de estar na Bienal e encontrar esse público, segundo Igor, provoca uma sensação de felicidade e esperança. Para ele, estar em um ambiente que reúne tantas pessoas interessadas em livros reforça a possibilidade de que cada vez mais leitores encontrem espaço no universo da literatura. “Eu me sinto muito feliz, na verdade, estar com tanta gente aqui comungando a ideia de que livros são companhias legais para se ter para o resto da vida”, diz Igor.


A poesia como porta de entrada


A relação de Pires com os jovens também passa pela poesia. Ao recordar o início da trajetória como escritor, ele conta que começou a produzir textos sem saber exatamente como definir o que escrevia. A princípio, o processo era intuitivo, movido pela vontade de colocar as próprias ideias no papel. “Eu nem sabia que o que eu estava escrevendo era poesia ou prosa poética”, conta.


Com o tempo, Igor percebeu que havia leitores interessados em sua produção e encontrou um caminho próprio na literatura. “Eu fui encontrando o caminho e o caminho foi me encontrando também”, resume. A aproximação com o público jovem aconteceu nesse processo e revelou ao escritor o potencial da poesia para despertar o interesse pela leitura.



Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Entre os relatos que recebe dos leitores, um dos que mais o marcam é o de jovens que começaram a ler a partir de seus livros. “O que mais me deixa feliz é: ‘Ah, o seu livro foi o primeiro livro que eu li e depois eu comecei a ler outros livros’”, relata. Para Igor, essas experiências mostram como a poesia pode funcionar como uma porta de entrada para a literatura, especialmente para quem ainda não tem o hábito de ler.



Essa percepção também está relacionada à maneira como o escritor enxerga a literatura voltada ao público jovem. “Eu acho que a gente fala de literatura jovem sempre como se ela fosse menos, sempre como se ela estivesse num sub lugar”, afirma.


Igor também destaca a importância de uma linguagem mais acessível para aproximar novos leitores da poesia. “As pessoas estão tendo acesso a essa literatura e esse tipo de poesia, que é uma poesia com uma linguagem mais fácil. Eu não tive essa referência, eu não li esses livros e eu queria ter lido”, explica.


Para Igor, aproximar a poesia do público não significa reduzir a importância ou a complexidade do gênero. Embora reconheça que alguns textos de difícil compreensão, o escritor defende que os versos também podem fazer parte do cotidiano. “Poesia é arroz e feijão. É o básico. Todo mundo devia ter acesso”, afirma. Ao questionar a ideia de que esse tipo de literatura seria destinado a poucos, ele reforça: “Poesia é, sim, para todas as pessoas”, conclui.


1 comentário


Alexandre Santos
há 2 horas

BAITA MATÉRIA


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