Tudo sobre 'A Odisseia', poema épico grego que inspirou o novo filme de Christopher Nolan
- Bianca Fávero

- há 10 horas
- 4 min de leitura
Escrita na Antiguidade por Homero, a obra narra a longa jornada de Odisseu, que enfrenta provações dos deuses para voltar para casa após vencer a Guerra de Troia

Um herói com o sonho de voltar para os braços da esposa, perdido em ilhas misteriosas com monstros lendários e deuses interferindo no seu destino. Embora pareça o enredo de uma superprodução contemporânea, essa história foi contada pela primeira vez na Antiguidade, há quase três mil anos, em A Odisseia. Atribuído a Homero, o poema épico grego se tornou uma das principais referências da literatura ocidental e do que mais tarde seria conhecido como a Jornada do Herói.
O clássico voltou aos holofotes nos últimos meses por causa da nova adaptação para o cinema dirigida por Christopher Nolan. Com estreia nesta quinta-feira (16), o longa reúne um elenco estrelado por Matt Damon, Tom Holland, Zendaya, Anne Hathaway, Lupita Nyong'o, Charlize Theron e Robert Pattinson, reacendendo o interesse do público pela história que atravessa séculos.
Mas esta está longe de ser a primeira vez que A Odisseia ganha uma releitura. Ao longo dos séculos, a jornada de Odisseu inspirou filmes, séries, animações, livros (como Eneida de Virgílio e Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões) e até musicais. Um dos exemplos mais recentes é Epic: The Musical, lançado por Jorge Rivera-Herrans em 2024, que reimagina o poema épico por meio de canções. A produção conquistou a internet e ajudou a apresentar a história de uma forma diferente para a nova geração. No Spotify, uma de suas faixas mais populares já ultrapassa 111 milhões de reproduções.
Mas, afinal, sobre o que é A Odisseia?
Se o conceito de sagas literárias já existisse entre os séculos 9 e 7 a.C., A Odisseia poderia ser considerada a continuação de Ilíada, obra também atribuída a Homero. Depois de narrar os principais acontecimentos da Guerra de Troia, o poeta volta sua atenção para Odisseu (também chamado de Ulisses em algumas traduções), rei de Ítaca, que precisa enfrentar uma jornada de dez anos para conseguir voltar para casa após o conflito.
Na Grécia Antiga, os poemas eram compostos para serem declamados em público, o que fazia do ritmo e da musicalidade elementos fundamentais da narrativa. Por isso, A Odisseia é dividida em 24 cantos e composta por cerca de 12 mil versos em hexâmetro, métrica com seis “pés” rítmicos. Há três grandes momentos nessa estrutura: a Telemaquia, em que a deusa Atena orienta o jovem príncipe Telêmaco durante a ausência do pai; a viagem de Odisseu, quando o herói narra ao rei Alcínoo, dos Feácios, os desafios e criaturas fantásticas que encontrou pelo caminho; e o retorno a Ítaca, marcado pela vingança contra os pretendentes que, durante anos, disputaram a mão da rainha Penélope e consumiram as riquezas do palácio acreditando que o rei jamais voltaria.

O que deveria ser uma viagem de poucos dias para a tripulação de Odisseu, se tornou um grande desafio depois do confronto com Polifemo, filho de Poseidon. Ao cegar o ciclope, o herói desperta a ira do deus dos mares e passa por sucessivas provações mitológicas durante sua rota para Ítaca.
Entre os principais obstáculos estão a feiticeira Circe, que transforma seus companheiros em porcos; o canto das sereias, capaz de levar marinheiros à morte; os monstros Cila e Caríbdis, posicionados em lados opostos de um estreito; e a ninfa Calipso, que mantém Odisseu preso em sua ilha por anos. Enquanto isso, em Ítaca, Penélope resiste à pressão para escolher um novo marido, enganando dezenas de pretendentes com a promessa de que só tomará uma decisão depois de terminar de tecer uma mortalha, trabalho que desfaz secretamente todas as noites. Quando finalmente retorna ao reino, Odisseu precisa esconder sua identidade para recuperar o trono e provar, mais uma vez, que a inteligência é sua maior arma.
Dicas de leitura
Se aventurar por um clássico pode causar um pouco de receio, principalmente pela linguagem, contexto histórico e a fama de “livro difícil” que afasta leitores antes mesmo da primeira página. Mas a experiência costuma ser bem menos assustadora quando você escolhe a edição certa. No caso de A Odisseia, há traduções para diferentes perfis de leitores, além de adaptações que facilitam o primeiro contato com a história.
Uma das edições mais recomendadas é da Penguin-Companhia, com tradução de Frederico Lourenço. A versão é moderna, acessível e muito envolvente para quem não tem familiaridade com textos clássicos. Além disso, a editora traz uma introdução de Bernard Knox, que contextualiza a obra.
Para ir além da leitura da história, a edição comentada da Companhia das Letras é uma boa escolha. A tradução também é de Frederico Lourenço, mas acompanha notas e uma experiência guiada para quem quer entender a construção da obra.
Já quem ainda não se sente preparado para encarar o poema épico, pode começar por uma adaptação. Lançada pela DarkSide Books, a HQ A Odisseia, de Gareth Hinds, reconta a jornada de Odisseu em uma narrativa visual que preserva os momentos mais marcantes da obra de Homero. É uma excelente porta de entrada para o universo da mitologia grega e para um dos clássicos mais influentes da literatura ocidental.
Assista ao trailer de A Odisseia
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